Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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VOZ DOS OUVIDORES >

Tereza Rangel

13/05/2008 na edição 485

‘‘Foi inaugurado nesta terça (6), [sic] o maior centro oncológico da América Latina – o Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira.


Segundo o governo do Estado, os 580 leitos do instituto vão triplicar o número de vagas no Estado dedicadas ao atendimento de pacientes com a doença e a expectativa é de que o local atenda, numa primeira etapa, cerca de 4.000 pessoas por mês. Até o final de 2009, todas as alas do hospital estarão abertas ao público, o que fará com que o atendimento seja de 40 mil pessoas por mês.’


O texto acima, com a vírgula entre predicado e sujeito no lide e acompanhando de um vídeo, foi dado com destaque entre as fotos principais da home page do UOL entre ontem e hoje, por mais de 12 horas seguidas.


O UOL investiu na cobertura da inauguração (parcial) do hospital, enviando repórter e cinegrafista, mas se esqueceu de fazer jornalismo. Texto e vídeo mais pareciam release de assessoria de imprensa do governo do Estado. Faltava o bê-á-bá: onde fica o hospital? [Na cidade de São Paulo, região oeste, avenida Doutor Arnaldo] Quem serão os 4.000 atendidos este ano? Como será a seleção dos doentes? [São os pacientes de câncer atendidos atualmente pelo Hospital de Clínicas]. O texto e vídeo destacados pela home tampouco trouxeram links para amplo material feito com especial cuidado pela Folha de S.Paulo e Folha Online sobre o tema desde o último domingo (afinal, o patrono do hospital, Octavio Frias de Oliveira, morto em abril de 2007, foi o publisher do jornal).


Um desserviço ao internauta, principalmente àquele interessado no tratamento de câncer. Um exemplo de como não fazer uma reportagem simples. Um exemplo de como não editar algo com falhas tão básicas.


Só hoje à tarde e após queixa da ombudsman, a redação refez o texto (agora com pouco destaque, escondido na aba de vídeos da home). Isso deveria ter sido feito ontem, antes da publicação. O vídeo não foi reeditado, pelo menos até este momento.


***


Mortos: mais de 350 = 22,5 mil (6/5/08)


O UOL defende que não é preciso atualizar diariamente a área de abas da home page do UOL, criada para valorizar conteúdos específicos: fotos, vídeos, blogs e downlods. Quando critiquei aqui a falta de atualização, o editor da home page do UOL, Haroldo Sereza, escreveu que ‘ao navegar pelas setas, o internauta encontra o equivalente a uma lista de conteúdos interessantes, mas não necessariamente ‘quentes’. É como se dois tempos convivessem na home, um mais ágil, sempre exposto na home, outro mais lento, com conteúdos que, de alguma forma, continuam interessando a ele, internauta.’


Hoje, até as 13h, nenhuma das fotos em todas as abas era do dia. Imagens com um, dois e até três dias de ‘idade’. Um assunto, em especial, chamava atenção: o do ciclone que devastou Mianmar. A chamada (do dia 4) dizia haver ‘mais de 350 mortos’. No alto da página, o UOL informava que 22,5 mil morreram. Ou seja, quase 65 vezes mais mortos. Pega mal tamanho grau de desatualização.


Na minha opinião, esses ‘dois tempos’ defendidos pela redação para atualizar a home não deveriam existir. Home page de portal que se diz o melhor conteúdo é lugar para muitas atualizações diárias. Ainda mais para portal com DNA jornalístico, como é o UOL (e principalmente num caso de notícia com ene maiúsculo, como a de Mianmar).


***


Investimento em fotos, mas não em legendas (5/5/08)


Nos últimos meses o UOL tem feito um grande investimento num dos produtos de maior audiência na Internet: álbuns de fotos. Contratou um editor de fotografia, contratou novas agências de fotos, redesenhou seus álbuns, para, como se diz no jargão, ‘melhorar a experiência do internauta’, aumentou o número de álbuns editados e criou uma área na home page para divulgá-los melhor.


Precisa avançar ainda, porém, na confecção de legendas. O Manual da Redação da Folha, adotado pela do UOL, ensina que, ‘por ser um dos primeiros elementos da página que atraem o leitor, [a legenda da foto] merece tanto cuidado quanto os títulos.’ No UOL, é comum haver legendas com erros de digitação, português, informação; legendas nas quais o redator intui o que vê; legendas em que a imagem não corresponde ao que está escrito. Um bom passo, simultâneo à implementação dos ‘superálbuns’ em todas as estações, seria um investimento da redação num programa de qualidade total para legendas.


A seguir, fotos com cópia das legendas feitas pela redação do UOL nos últimos dias.



Onde estão os presos? Quem é o homem da foto? A foto é em Guantánamo?



Legenda do UOL


‘Nove presos da base norte-americana de Guantanamo [falta o acento] (Cuba) foram transferidos para Afeganistão, Sudão e Marrocos, anunciou nesta sexta-feira o Pentágono em um comunicado’



Quem é a moça da foto?



Legenda do UOL


‘O filme [Homem de Ferro] é mais uma produção baseada em um personagem da Marvel’



Quem disse que atriz está preocupada, e ainda mais ‘com outra coisa’?



Legenda do UOL


‘Betty Lago parece preocupada com outra coisa’



Nada indica falta de calma a Rodrigo Phavanello



Legenda do UOL


‘Cláudia Gimenez tenta acalmar Rodrigo Phavanello’



Pessoas tocam vida, não observam nada (além do erro de digitação)



Legenda do UOL


‘Moradores observem [sic] estragos feitos em suas casas pelo ciclone em Mianmar’



Erro de português e falta informação sobre a foto



Legenda do UOL


‘Segundo autoridades, prejuízos causados pelo Nargis ainda não pode [sic] ser avaliado’



É um campeonato no Japão, não japonês



Legenda do UOL


‘A equipe de nado sincronizado da China durante apresentação no campeonato japonês [trata-se do Open do Japão] de nado sincronizado em Tóquio, no Japão’



A capital da Somália é Mogadício, não Mongadício



Legenda do UOL


‘Ônibus aparece incendidado em Mongadício [sic], capital da Somália, após protestos da população contra o aumento nos preços dos alimentos’’

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