Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

VOZ DOS OUVIDORES > UOL

Tereza Rangel

06/11/2007 na edição 458

‘O UOL sempre foi muito zeloso com relação ao material que produz para o site Lição de Casa. Escolhe os parceiros a dedo e até desenvolveu uma busca especial, para tentar evitar que alunos tenham contato com material sem a chancela do UOL. Fez uma nota aos pais, para dizer como o site é feito e por que eles podem confiar no UOL.

‘Apenas se o estudante não puder encontrar resposta às suas buscas dentro do próprio UOL Lição de Casa é que o sistema permitirá acesso a outros conteúdos na Internet, no Brasil e no mundo. Neste caso, o UOL recomenda vivamente que o estudante questione a credibilidade da fonte de informação antes de usar o material em seus trabalhos escolares e conta com a colaboração dos pais e professores nessa missão’, diz o texto aos pais.

Apesar de todo o cuidado, porém, o UOL não consegue garantir que seu próprio material não haja cópia deslavada de textos que circulam pela Internet.

O internauta Eduardo Nunes de Lima escreveu para alertar para uma ‘tradução errônea do texto em espanhol’ na biografia do escritor e filósofo espanhol Miguel de Unamuno, no UOL Lição de Casa. Comparava o texto do UOL com um publicado no site Geocities e apontava erro de tradução para o português: o UOL dizia que o escritor fora deposto do cargo de reitor da Universidade de Salamanca por ter se posicionado contra o levante de Francisco Franco. O texto em espanhol, o contrário.

Um cotejamento dos dois textos sugere que houve cópia, por parte do UOL, do texto em espanhol. O texto pode ser encontrado também no site da Biblioteca Virtual da República Dominicana, sem que se saiba a autoria. É pouco provável que dois sites em espanhol tenham copiado texto de um site brasileiro, por maior que seja o UOL. Há dois parágrafos aparentemente originais. Em nova busca, percebe-se muita similaridade com texto escrito pelo jornalista Lucio Flavio Pinto, com data anterior à do UOL. A redação do UOL não confirma que houve cópia, mas diz que ‘tudo leva a crer que sim’. O texto foi produzido pela empresa prestadora de serviço Página 3. Segundo o UOL, a empresa alega que os textos biográficos são feitos com base em textos enciclopédicos, obras didáticas e/ou sites confiáveis, em geral do país de origem do biografado.

Abaixo, os textos em espanhol e publicados pelo UOL. Em vermelho, as similitudes entre eles. Em verde, o que há de semelhança com o texto de Lucio Flavio Pinto.

Miguel de Unamuno

Miguel de Unamuno y Jugo nació en Bilbao en 1864, hijo de un comerciante indiano. Después de cursar el bachillerato en su ciudad natal, se trasladó a Madriden 1880 para estudiar en la Facultad de Filosofía y Letras, donde obtuvo el doctorado con una tesis sobre el pueblo vasco.

De regreso a Bilbao, se dedica a dar clases particulares, hasta que, en 1891, obtiene la cátedra de Griego en Salamanca, ciudad en la que vivirá el resto de su vida, salvo los períodos de exilio y deportación que tuvo que sufrir por sus ideas políticas.

Ese mismo año contrae matrimonio con Concepción Lizárraga. En un principio, Unamuno se muestra partidario de las ideas positivistas, pero después se inclina hacia el socialismo, y se afilia al Partido Socialista el año 1894.

Hacia 1897 experimenta una honda crisis personal que agudiza sus preocupaciones de carácter religioso, como queda reflejado en su Diario íntimo. El año 1900 es nombrado Rector de la Universidad de Salamanca, cargo del que es desposeído en 1914, por declararse partidario de los aliados.

Seis años más tarde, Unamuno es procesado por escribir un artículo injurioso contra el rey Alfonso XIII. Deportado a la isla de Fuerteventura en 1924, posteriormente se exilia en Hendaya y luego en París.

En 1931 regresa a Salamanca y vuelve a ser nombrado Rector de la Universidad, pero nuevamente es desposeído del mismo, esta vez por el Gobierno de la República, por haberse adherido al levantamiento del General Franco.

Muy poco después tendría un grave enfrentamiento con el General Millán Astray. Ese mismo año muere en Salamanca, el día 31 de diciembre. Unamuno fue un hombre de una personalidad original y desbordante, muy polémica y, a veces, contradictoria, tanto en su pensamiento como en su actividad política.

No es un pensador sistemático: sus ideas están esparcidas en ensayos, poemas, novelas y dramas. Entre los ensayos merecen destacarse los siguientes:

– Vida de Don Quijote y Sancho (1905).

– Del sentimiento trágico de la vida en los hombres y en los pueblos (1913).

– La agonía del Cristianismo (1926-1931).

Además, escribió novelas interesantes, como Niebla (1914), Abel Sánchez (1917) o San Manuel Bueno, Mártir (1933), y poemas de gran calidad y hondosentimiento, como El Cristo de Velázquez (1920).

El texto propuesto en el programa para lectura y comentario comprende los capítulos 1 y 5 de la obra más importante de Unamuno, Del sentimiento trágico de la vida en los hombres y en los pueblos, publicada el año 1913. El capítulo primero, ‘El hombre de carne y hueso’, trata del concepto, sentido y objeto principal de la filosofía. El capítulo quinto, ‘La disolución racional’, se ocupa, por su partem de la interpretación ‘científica’ que la razón hace de la naturaleza e inmortalidad del alma.

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Miguel de Unamuno

Miguel de Unamuno, filho de um comerciante indiano, foi um dos maiores pensadores espanhóis do século 20. Depois de cursar o bacharelado em sua cidade natal, em 1880, transferiu-se para Madri para estudar Filosofia e Letras e obteve o doutorado com uma tese sobre o povo basco. Regressando a Bilbao, dedicou-se a dar aulas até 1891 quando obteve a cátedra de Grego na Universidade de Salamanca. Casou-se com Concepción Lizárraga. Nessa época, Unamuno se mostrava favorável às idéias positivistas, mas em 1884 se filiou ao partido socialista. 

Em 1897 passou um período de crise pessoal que aumentou suas preocupações de caráter religioso, como ficou registrado em seu diário. Em 1900, foi nomeado reitor da Universidade de Salamanca, cargo que deixou em 1914 por se declarar partidário dos aliados. Seis anos mais tarde Unamuno foi processado por escrever um artigo ‘injurioso’ contra o rei Alfonso 13. Deportado à ilha de Fuerteventura em 1924, posteriormente se exilou em Hendaya e em Paris. 

Retornou a Salamanca em 1931 e voltou a ser nomeado reitor da universidade, mas novamente saiu do cargo, desta vez por ordem do governo, por haver aderido ao levante contra o general Franco. Pouco depois Miguel de Unamuno, então com 72 anos de idade, seria desafiado pelo general Millán Astray, no Dia da Raça, em 12 de outubro de 1936. 

O salão da honra da Universidade de Salamanca servia de palco ao Festival da Raça. O franquismo emergente, ainda estava em guerra com o republicanismo revolucionário. O general Milán Astray, representante de Franco na solenidade, fez discurso com palavras de ordens aos falangistas, os fascistas espanhóis. Disse que bascos e catalães seriam extirpados pelo poder central unificador.

– Viva la muerte!, respondeu um falangista de camisa azul, no meio da platéia. Seguiram-se outros gritos e a típica saudação com o braço erguido diante do retrato de Franco. 

Terminado o discurso do militar, Unamuno, ouviu novamente o grito: – Viva a morte!, ao que respondeu com um: – Viva a inteligência! Depois disso ainda fez um comentário, mas, dominado pela emoção, foi amparado, pela esposa do próprio Franco e conduzido para fora do salão. Foi mantido em prisão e morreu dois meses e meio depois. 

Unamuno foi um homem de personalidade original, polêmica e às vezes contraditória, tanto no seu pensamento como em sua atividade política. Não foi um pensador sistemático: suas idéias estão em ensaios, poemas, romances e dramas. Entre os ensaios merecem destaque: ‘Vida de Dom Quixote e Sancho’ e ‘Do sentimento trágico da vida’. Escreveu romances como ‘Névoa’ e ‘Abel Sanchez’; ‘São Manuel Bueno, Mártir’; e poemas de grande qualidade como ‘O Cristo de Velázquez’.

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O episódio pode pôr sob suspeição todo o trabalho feito para o site Lição de Casa. Para evitar problemas futuros, sugiro que o UOL esclareça se houve ou não plágio e coiba com dureza a prática. Além, claro, que texto tenha informações confiáveis. A redação já informou que, a partir de agora, as fontes de pesquisa serão citadas nos textos.

Para terminar, gostaria de fazer um elogio público ao UOL, que mostrou coragem a levar meu comentário de ontem à home page do portal, dando amplitude ao caso. Espero, apenas, que daqui para a frente, haja mudanças na forma de dar créditos e que o portal repense sua política de poucos repórteres.

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Cópias mal disfarçadas (31/10/07)

‘A proliferação de agências de notícias online pode levar os meios a uma indistinção se estes não possuírem talento e mecanismos para captar furos, ou seja, reportagens que sejam difundidas com exclusividade e que tornem a leitura de determinado jornal um ato único e singular de informação.’

Manual da Redação da Folha, verbete ‘Furo ou informação exclusiva’.

Faltam repórteres no UOL e isso faz com que o portal fique dependente de parceiros ou agências que os tenham. Duas manchetes hoje, com o crédito ‘da Redação’, nada mais eram do que cópias mal disfarçadas de material de agências de notícias do Poder Executivo, a Agência Brasil, e do Legislativo, a Agência Câmara. No pé das duas, um singelo ‘com informações da Agência Brasil’ e ‘com informações da Agência Câmara’. O crédito correto deveria ser ‘da Agência Brasil’ e ‘da Agência Câmara’.

Ao se apropriar de material alheio dando o crédito à ‘Redação’, o UOL engana o leitor. Pior, sem transparência, fica dependente editorialmente da visão do órgão público, por mais que o jornalismo praticado pelas duas agências lute por fazer um jornalismo isento e independente. E, mais, não torna a leitura do portal um ato único e singular.

Seguem, lado a lado, os textos publicados pelas agências e pelo UOL que foram manchete do portal hoje. Em vermelho, o que se repete. Até a ordem dos parágrafos é muito similar.

Agência Brasil

Sabrina Craide

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Após apresentar um balanço de sua administração à frente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o diretor presidente da entidade, Milton Zuanazzi, anunciou que irá entregar sua carta de exoneração na tarde de hoje (31).

Ele disse que está saindo porque não concorda com as idéias do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e explicou que só deixou o cargo agora, apesar das pressões, porque não queria deixar a Anac sem diretoria. Zuanazzi estava no cargo desde março de 2006, quando deixou a função de secretário nacional de Políticas do Turismo.

Zuanazzi disse que existe uma ‘agenda oculta’ no país que não quer o crescimento do Brasil. ‘Essa agenda não quer que pobre ande de avião’. Ele também fez críticas ao ministro Jobim, dizendo que ele não conhece a aviação civil brasileira.

O presidente demissionário da agência, também disse que a crise aérea no Brasil não deverá acabar em março do ano que vem, como prevê o ministro Nelson Jobim.
‘O apagão causado pelo movimento dos controladores aéreos está sob controle, mas os problemas meteorológicos não vão acabar nunca’, disse. Ele também criticou a idéia de Jobim de aumentar a distância entre as poltronas nas aeronaves. Segundo ele, essa medida aumentaria o preço das passagens aéreas.

Jobim já havia anunciado ontem (30) que Zuanazzi, deixaria a Anac hoje. Desde que assumiu o cargo, em julho deste ano, o ministro critica a falta de rigor da Anac em relação aos problemas aéreos do país.

Zuanazzi era o único dos diretores da agência que ainda não tinha deixado o cargo. Ontem, o presidente em exercício, Arlindo Chinaglia, assinou a nomeação de dois novos diretores da Anac: o economista Marcelo Guaranys e o engenheiro Alexandre Gomes de Barros.

Eles substituirão Leur Lomanto e Denise Abreu, respectivamente. O brigadeiro Allemander Pereira Filho, tomou posse na última segunda-feira (29) como diretor da agência.

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UOL

Da Redação

Em São Paulo

Após apresentar um balanço de sua administração à frente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o diretor presidente da entidade, Milton Zuanazzi, anunciou que irá entregar sua carta de exoneração na tarde desta quarta-feira.

Ao anunciar sua saída, ele criticou o ministro da Defesa, Nelson Jobim. ‘Estou saindo porque não quero trabalhar com ele [Jobim]’, afirmou. Zuanazzi também disse que o ministro não conhece a aviação civil brasileira.

Ele estava no cargo desde março de 2006, quando deixou a função de secretário nacional de Políticas do Turismo.

Zuanazzi disse que existe uma ‘agenda oculta’ no país que não quer o crescimento do Brasil. ‘Essa agenda não quer que pobre ande de avião’.

O ex-presidente da agência também afirmou que a crise aérea no Brasil não deverá acabar em março do ano que vem, como prevê o ministro Nelson Jobim.

‘O apagão causado pelo movimento dos controladores aéreos está sob controle, mas os problemas meteorológicos não vão acabar nunca’, disse. Ele também criticou a idéia de Jobim de aumentar a distância entre as poltronas nas aeronaves. Segundo ele, essa medida aumentaria o preço das passagens aéreas.

Jobim já havia anunciado ontem (30) que Zuanazzi deixaria a Anac hoje. Desde que assumiu o cargo, em julho deste ano, o ministro critica a falta de rigor da Anac em relação aos problemas aéreos do país.

A substituta de Zuanazzi será Solange Vieira, já indicada pelo ministro para ocupar o cargo.

Zuanazzi era o único dos diretores da agência que ainda não tinha deixado o cargo. Ontem, o presidente em exercício, Arlindo Chinaglia, assinou a nomeação de dois novos diretores da Anac: o economista Marcelo Guaranys e o engenheiro Alexandre Gomes de Barros.

Eles substituirão Leur Lomanto e Denise Abreu, respectivamente. O brigadeiro Allemander Pereira Filho, tomou posse na última segunda-feira (29) como diretor da agência.

Com informações da Agência Brasil

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Agência Câmara 

O deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) entregou há pouco nas mãos do deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), que presidia a sessão plenária, seu pedido de renúncia em caráter irrevogável.

O suplente que deverá assumir a vaga é Walter Correia de Brito Neto (DEM-PB).

O Supremo Tribunal Federal (STF) havia marcado o julgamento de processo contra ele para a próxima segunda-feira. Cunha Lima é acusado de balear Tarcísio Buriti, seu inimigo político, em 5 de dezembro de 1993, em um restaurante.

O processo está no STF desde 1995. Com a renúncia, o deputado deverá perder seu foro privilegiado e o processo deverá ser remetido para a Justiça comum.

Íntegra da renúncia

Leia abaixo a íntegra da renúncia: …
Da Redação/PR

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UOL

Em São Paulo

O deputado federal Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) entregou na tarde desta quarta-feira seu pedido de renúncia em caráter irrevogável na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O documento foi entregue nas mãos do deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), que presidia a sessão plenária.

Cunha Lima seria julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na próxima segunda-feira. Ele é acusado de balear Tarcísio Buriti, seu inimigo político e ex-governador da Paraíba, em 5 de dezembro de 1993, em um restaurante. Na época, Ronaldo era governador do Estado.

O processo está no STF desde 1995. Com a renúncia, o deputado, que é pai do atual governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), deverá perder seu foro privilegiado e o processo deverá ser remetido para a Justiça comum.

O suplente que deverá assumir a vaga é Walter Correia de Brito Neto (DEM-PB). A expectativa é que Ronaldo Cunha Lima faça um pronunciamento no plenário da Câmara ainda nesta quarta-feira.

Leia a íntegra da renúncia: …

Com informações da Agência Câmara

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A Copa do Mundo (30/10/07)

O UOL fez grande investimento para o anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. Mandou repórter à Suíça, manchetou o assunto desde antes das 10h, deu foto na home e optou adotar o estilo de manchete forte (normalmente reservada a notícias com ‘n’ maiúsculo, excepcionais) quando o anúncio foi feito. Assim está até agora, 17h15. Dar ares de notícia excepcional ao anúncio pareceu-me exagerado, posto que notícia seria a Fifa não anunciar o Brasil, único candidato. Com o investimento na Copa, deixou em segundo ou terceiro planos duas notícias importantes: a saída do presidente da Anac e a ampliação do uso do FGTS para a compra de imóveis. Essa última foi levada à home apenas às 16h36, quando, desde as 8h14, podia ser lida ser lida no site do Estadão. Foi a manchete do jornal impresso.

Tratamento de notícia excepcional, sem análise política

Com várias chamadas, tanto na home page do UOL como na de Esporte sobre a Copa no Brasil, faltou ao UOL, porém, destacar análises políticas, de colunistas, sobre a decisão. Dois textos poderiam servir de exemplo: post de Juca Kfouri, antes da decisão, e coluna de Janio de Freitas, na Folha. Ou mesmo ter combinado com o Juca um texto especial, após o anúncio oficial. Um acerto foi abrir espaço a que internautas comentassem o caso e fazer um texto consolidando o teor do grupo de discussão. Pena não ter sido atualizado.

Assim como concorrentes, o UOL Esporte preparou uma arte sobre as 18 cidades que disputam o posto de sede da Copa de 2014. Graficamente elegante, não trazia, entretanto, fotos dos estádios postulantes nem por quais alterações terão de passar, como fizeram outros sites. Poderiam estar nos textos que acompanham a arte. Senti falta, também, de mostrar ao internauta que o UOL já tem um subcanal em esporte para tratar da Copa, meio perdido no menu de futebol.’

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