Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

TV aberta deixou a desejar

Por Sobre artigo de Michael Getler em 10/08/2004 na edição 289

No dia 30/7, o presidente de jornalismo da rede de TV ABC, David Westin, publicou coluna no Washington Post respondendo às críticas contra a decisão das grandes emissoras abertas americanas – ABC, CBS e NBC – de transmitirem a convenção nacional do Partido Democrata por apenas uma hora durante três dos quatro dias em que se desenrolou o evento. A convenção republicana, ainda por acontecer, ganhará a mesma quantidade de tempo. Westin argumenta que a ABC não deu mais espaço em seu canal de TV aberto porque a cobertura da corrida presidencial acontece também por seu sistema de TV digital e pelo seu sítio de internet.

O ombudsman do Washington Post, Michael Getler, em coluna do dia 8/8, elogia o presidente de jornalismo da ABC por levar essa discussão às páginas de jornais, mas concorda com os diversos leitores que escreveram indignados com o pouco caso das emissoras grandes para um dos processos políticos mais importantes da história recente dos EUA. Algumas pessoas apontaram que não é todo mundo que tem acesso à internet ou à TV digital. Outro leitor lembrou que a televisão aberta funciona sob concessão pública e que, por isso, se espera um retorno das emissoras em termos de prestação de serviço à comunidade.

Getler escreve que acompanhou a convenção pelos canais de notícias pagos. Em sua opinião, uma cobertura com extensas transmissões ao vivo de discursos poderia ser prejudicial à TV aberta, porque ela depende exclusivamente de anunciantes e provavelmente perderia audiência. Mas um pouco mais poderia ser feito, num momento crucial como este. O discurso de Al Gore, concorrente de George W. Bush na última eleição, foi deixado de lado. Barack Obama, provavelmente o único representante negro na próxima formação do senado americano, teve uma fala de grande destaque, que também não foi transmitida.

A principal questão é que eles apresentaram opiniões divergentes da administração Bush e esse debate de idéias é muito importante. Hoje está claro que as alegações usadas pelo governo americano para levar os EUA a invadirem o Iraque eram, em maioria, incorretas. O eleitor é quem julga se a guerra foi a coisa certa a se fazer, mas, para informá-lo a respeito, a mídia deixou muito a desejar. Agora que a hora do julgamento das urnas está chegando, a TV aberta deveria ser ‘mais diligente em permitir que os partidos opositores apresentem melhor suas idéias ao público’, afirma o ombudsman.

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