No tempo das máquinas de escrever nas redações, a pior humilhação para um repórter era quando um leitor ligava para perguntar o que ele quis contar na sua matéria, e não tinha conseguido. Nos dias atuais, separando o leitor do militante digital, o leitor vai para as redes sociais exigir explicações sobre o que leu […]
Circo da Notícia
Publicado originalmente na Revista de Jornalismo ESPM A ascensão e queda de Jair Bolsonaro na opinião pública internacional, sobretudo ocidental, pode ser acompanhada com maior distinção nas organizações que o abraçaram como candidato e agora se veem diante de uma realidade distante daquela que anunciaram, quase prometeram, aos leitores. Do candidato, enfatizavam as promessas de […]
Em memória de Alberto Dines São caboclos querendo ser ingleses. A frase é do Cazuza, a realidade nossa. Aquilo que o brilhante poeta de letras diretas, apaixonantes e personalidade singular nos disse em inflamadas performances se estende por mais décadas do que talvez o próprio Agenor de Miranda Araújo Neto acreditaria. Meados de 1980: o […]
O sociólogo francês Edgar Morin, no livro Cultura de Massas no Século XX: o espírito do tempo (1962), levanta uma característica da mídia de sua época que gritava aos seus olhos. Ele dizia que a imprensa tinha uma habilidade única de jogar personalidades no alto do olimpo, colocando-as em maior destaque do que suas atribuições […]
É curioso que a presidente Dilma Rousseff tenha escolhido como sua estratégia de comunicação para reagir às imensas dificuldades atuais de seu governo falar a veículos da chamada mídia tradicional, sempre contemplada por seus aliados com os piores vitupérios. Primeiro, em junho, foi uma entrevista ao programa de Jô Soares, na Rede Globo. Esta semana, […]
Assembleias ou parlamentos costumam adotar liturgias apropriadas ao ato de criar, recriar ou excluir dispositivos da Lei Maior. Não necessariamente pomposos, porém minimamente decorosos tais ritos se impõem em circunstâncias semelhantes às atuais, quando os representantes do povo se dispõem a votar um rol de emendas a uma Constituição adotada democraticamente há mais de um […]
Diferenciar fotos jornalísticas reais de ensaiadas não é problema novo. A controvérsia sobre a que Joe Rosenthal, da Associated Press, fez em Iwo Jima em 23 de fevereiro de 1945, por exemplo, ainda persiste, 70 anos depois. Mas a realidade das mídias sociais, do jornalismo digital e dos avanços da tecnologia tem intensificado polêmicas. Muitos […]
Joseph Pulitzer, um dos grandes jornalistas de todos os tempos, costumava dizer o que é jornalismo com três palavras: “Precisão! Precisão!! Precisão!!!”
Se alguém escrever, tuitar ou lhe disser que a mídia nada tem a ver com o megaescândalo da FIFA & CBF, não acredite. Além disso, é preciso colocar a fonte de quarentena, sob suspeição. Ela não é confiável.
Babar por Fidel Castro, vá lá: apesar de tudo, ele tem uma história, é uma lenda viva. Mas babar por Diosdado Cabello, uma espécie de sub-Maduro que andou por aqui, que nem Maduro chega a ser?
Jô fez muito bem de tentar entrevistar a presidente Dilma, sempre esquiva, ruim de respostas, avessa a jornalistas. Mas não deu sorte.
Pois é, a BBC de Londres. Justo a BBC, aquela emissora que há alguns anos era símbolo máximo de credibilidade jornalística. E de Londres, diretamente da fonte: como não acreditar? A BBC de Londres anunciou no dia 3 a morte da rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª. Como disse o escritor americano Mark Twain quando divulgaram […]
É fácil, é cômodo, é charmoso investir contra os grandes jornais internacionais, especialmente americanos, como agora se faz com a acusação de que o governo de Obama mente o tempo todo e não contou toda a verdade sobre a morte do terrorista-mor, Osama Bin Laden. Mas quando se trata de escancarar as aberrações, acertos e […]
Os parlamentares estão na deles: como se elegeram pelas normas atuais, por que teriam interesse em mudá-las? Mas não podem dar aos eleitores a impressão de que aprovam nosso sistema ineficiente e caríssimo de escolher representantes.
Esta era a Rádio Eldorado de São Paulo, puro bom gosto. Um dia, resolveram que era hora de disputar o mercado de massa. Em vez de música e notícias, só notícias. As vinhetas foram aceleradas, afinal de contas a vida moderna exigia velocidade.
Compareceram ao suntuoso Leopolldo, no nova-iorquino bairro do Itaim-Bibi (a Ilha Fiscal da Desvairada), nossa magérrima presidenta, o neo-obeso ex-presidente, chefes do Legislativo, cochichando com a mão na boca como manda o figurino global.
Se os meios de comunicação querem levar tudo isso a sério, que o façam. Difícil é pedir que os consumidores de informação acreditem em Papai Noel (e Mamãe Noela) e paguem para ler bobagem.
Discutiu-se jornalismo a sério, debateram-se erros jornalísticos sem culpar uzianque, a zelite, os infiltrados, a falta de censura estatal.
No Brasil, nós, jornalistas, somos os culpados de sempre. Na opinião dos políticos, claro: Lula já disse que juntando todos os jornalistas de Veja e Época não chegam a 10% da ética dele (ambas as revistas, completa, “são um lixo e não valem nada” – embora Veja fosse ótima e válida quando estava a seu lado nas denúncias contra Fernando Collor).
Hoje [domingo, 3/5] é o dia mundial da liberdade de imprensa. Foi lembrado apenas pela ANJ, a patronal Associação Nacional de Jornais. Melhor seria que tivesse esquecido. Num anúncio, a ANJ pergunta: “Quem vai combater o Estado Islâmico?”. Apresenta três alternativas: “Os jornais, o Facebook ou o Google?”. A resposta é indireta, através da reprodução […]