Já houve tempo em que a Veja se orgulhava de sua checagem de números. Uma boa dose de marketing envolvia essa fama – basta, para comprová-lo, visitar a coleção da revista no seu utilíssimo Acervo Digital −, mas o semanário tomava suas precauções.
O método nunca funcionou para o número de moradores da maior favela da Zona Sul carioca, como se mostrou no Observatório da Imprensa ("Veja e o povo da Rocinha").
Agora, mais um salto espetacular reitera o movimento de sanfona a que esse cômputo é submetido nos teclados da Veja. Passou de 67.000 em agosto de 2008 para 200.00 neste mês de dezembro.
Um saldo líquido de 133.000 pessoas em 40 meses significaria que teriam chegado mais do que saído, e nascido mais do que morrido 3.325 pessoas por mês na Rocinha, ou quase 111 por dia. Teria sido necessário construir 40.300 novas habitações num lugar onde, pelas contas do IBGE, o número total de moradias é de 23.339.
Atualize-se a tabela onde a ignorância sobre o que se passa na Rocinha é representada em números.
População da Rocinha segundo a Veja |
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16/9/1970 |
90.000 |
28/2/1975 |
150.000 |
24/12/1975 |
80.000 |
9/8/1978 |
145.000 |
2/7/1980 |
200.000 |
12/7/1989 |
200.000 |
20/4/1994 |
42.800 |
2/9/1994 |
170.000 |
16/3/2005 |
100.000 |
6/8/2008 |
67.000 |
7/12/2011 |
200.000 |